Olha eu aqui!

O meu computador pifou e, como sou professora, o meu salário não está sendo suficiente para executar o conserto. Neste meio tempo têm acontecido tantas coisas sobre as quais gostaria de comentar... Coisas boas, coisas muito ruins, coisas revoltantes, coisas excitantes, coisas reconfortantes... Não vou ficar, depois de tanto tempo, alugando meus raros e fiéis leitores com tudo aquilo que deixei de dizer nos últimos tempos. Mas, para não perder o costume, vou ter que dar um exemplo de slogan bizarro.
Contratamos uma empresa especializada em limpeza de fossas porque sentimos que já estava na hora de se fazer tal serviço aqui em casa. Uma amiga, quando soube, se interessou pelo serviço. Então, assim que os "limpadores de fossa" - não sei se existe um nome específico para esses profissionais - pedi o número do telefone da empresa para que minha amiga entrasse em contato direto com eles. Um dos rapazes foi até o caminhão e voltou com um cartão. Peguei o cartão, no qual estavam listados os serviços que a empresa executa e, ao final, a frase: VOCÊS É QUE FAZEM, NÓS SÓ LIMPAMOS!

Para bom entendedor, meia palavra basta...

Hoje é 8 de março!



Tanto conquistamos ao longo dos últimos anos.
A cada conquista, perdeu-se algo.
Porém há uma certeza:
ser mulher hoje é melhor
do que foi nos séculos passados.


Parabéns a todas as mulheres que não aceitam mais ser dominadas pelos homens!







O lado quente do ser

(Marina Lima e Antônio Cícero)

Eu gosto de ser mulher
Sonhar arder de amor
Desde que sou uma menina
De ser feliz ou sofrer
Com quem eu faça calor

Esse querer me ilumina
E eu não quero amor nada de menos
Dispense os jogos desses mais ou menos
Pra que pequenos vícios
Se o amor são fogos que se acendem
Sem artifícios

Eu já quis ser bailarina
São coisas que não esqueço

E continuo ainda a sê-la
Minha vida me alucina

É como um filme que faço
Mas faço melhor ainda
Do que as estrelas

Então eu digo amor, chegue mais perto

E prove ao certo qual é o meu sabor
Ouça meu peito agora
Venha compor uma trilha sonora para o amor

Eu gosto de ser mulher

Que mostra mais o que sente
O lado quente do ser
Que canta mais docemente



Certas coisas...

Sabe, hoje estive pensando no amor! Na verdade, pensando no ato de amar. O amor muitas vezes se confunde com a paixão, mas a paixão é entorpecente enquanto o amor é esclarecedor e capaz de iluminar as almas mais sombrias.
A paixão precisa ser saciada urgentemente. O amor sabe esperar a sua hora, mesmo com dor e uma dose de sofrimento a pessoa que ama consegue ser tolerante e espera.
Não sei qual dos sentimentos é o melhor de ser experimentado. Pretensiosa eu seria se o soubesse...

Azul e branco


1 - Eu devia ter uns quatro anos de idade quando assisti, através da televisão, Vilma ostentando elegantemente o estandarte azul e branco de Madureira. Vi também uma águia que me fascinou. Pronto! Desde então, sou portelense!

2 - Eu costumava brincar de imitar a Clara Nunes.

3 - Não me lembro da última vez em a Portela foi campeã, pois eu era muito pequena nessa época. Amor é assim. Você ama e não espera outra recompensa além de ver o ser amado em plena exuberância.

4 - O samba-exaltação de Mauro Duarte e Paulo César Diniz, imortalizado pela voz de Clara, diz com propriedade:

"Portela
eu nunca vi coisa mais bela
quando ela pisa a passarela
e vai entrando na avenida
parece
a maravilha de aquarela que surgiu
o manto azul da padroeira do Brasil
Nossa Senhora Aparecida
que vai se arrastando
e o povo na rua cantando
é feito uma reza, um ritual
é a procissão do samba abençoando
a festa do divino carnaval(...)"


5 - Há várias referências à Portela na MPB. Sempre associando-a ao amor e à beleza.

6 - Apropriadamente, o enredo para o Carnaval deste ano é "E por falar em amor... Onde anda você?". A Portela se propõe a mostrar algumas formas de amar ocorridas ao longo da História da Humanidade, culminando com o amor à Portela. Nesses tempos de violência e intolerância, nada melhor do que lembrar que o amor existe.

7 - Foi um rio que passou em minha vida, composição de Paulinho da Viola, é uma ótima demostração de como o coração portelense sente o amor.

8 - O portelense é apegado às suas tradições. Quanto mais azul e branco nas fantasias e alegorias, melhor! O ton sour ton é muito bem vindo.


9 - Aliás, as cores azul e branco foram escolhidas em homenagem à Nossa Senhora da Conceição e a águia é o símbolo da Portela porque é uma ave imponente e que é capaz de alçar altos voos. Só o coração portelense sabe o que sente quando reencontra a águia na avenida.


10 - O amor à Portela é intenso mas não é ciumento. É um amor aberto mas extremamente fiel. Assim, admite que se admire algumas coisas que ocorrem nas outras escolas de samba. Ainda estou fascinada pelo o que a Grande Rio apresentou em seu enredo "Voilá, Caxias! Para sempre liberté, egualité, fraternité. Merci beaucoup, Brésil! Não tem de quê!". E o casamento do Neguinho da Beija-Flor... uma dessas coisas que só podem acontecer no Carnaval carioca e que se tornam automaticamente inesquecíveis.

Tenha um bom Carnaval

Mais um Carnaval se aproxima e passado quase todo o verão observa-se uma frequência considerável de casos de afogamento nas praias e lagoas de Cabo Frio. Hoje mesmo soube da morte de uma criança de 7 anos de idade, infelizmente. Poderia-se culpar simplesmente o Corpo de Bombeiros por não manter um número de salva-vidas adequado à quantidade de pessoas que escolhem a cidade para passar parte das férias.
A população cabofriense é de aproximadamente 180.000 habitantes. Durante o verão este número pode triplicar e, em datas como Reveillon e Carnaval, estima-se que cerca de 1.000.000 de turistas visitem a cidade. Pesquisa realizada em 2008 revelou que a maior parte dos turistas são do Rio de Janeiro, mas nas ruas percebe-se facilmente que, entre outros, muitos paulistas e mineiros vêm para cá.

Evito as praias nesses dias, pois cada m² de orla é bem disputado entre os banhistas. Na última vez que fui até a Praia do Forte fiz uma caminhada na areia de aproximadamente um quilômetro e observei que havia várias placas de alerta aos banhistas sobre a ocorrência de correnteza em determinados pontos da orla. E é justamente nesses pontos em que estão as placas (ou na maioria deles) onde se concentra boa parte dos banhistas, inclusive com crianças. Há salva-vidas, guardas marítimos e guardas municipais que ficam circulando pela praia durante todo o dia, mas sem que os frequentadores da praia despertem para o risco de banhar-se onde há correnteza mais forte, fica mais difícil cuidar da segurança de todos.


Caymmi cantava que é "doce morrer no mar, nos braços de Yemanjá". Eu penso que doce mesmo é voltar para a casa depois de passar algumas horas à beira do mar e ter boas histórias para contar e belas imagens gravadas na memória.

Nonsense

Assistia TV na sala de casa e resolvi ver o que se passava em outros canais. E até achei coisas que me interessam: Velha Guarda da Portela, documentário sobre Descartes e Alexandre ( filme de Oliver Stone que narra a trajetória do macedônio Alexandre, o Grande). Optei pelo filme e fui assisti-lo no meu quarto.
Pouquíssimos minutos depois minha mãe entra no meu quarto. Olha para a TV que está ligada e diz: "Pensei que você estivesse vendo o Patrick..." (aquele do: Olha a faca!) Entusiasmada falo-lhe brevemente sobre Alexandre, o Grande. Ela responde com ar de quem ouviu o maior absurdo da face da terra: "Agora aqui em casa só se assiste bobagens!" E sai rapidamente. Esta é a minha mãe. Definitvamente, não sei o que ela quis dizer com "bobagens". Mas, graças a Deus, não é o mesmo que esta palavra significa para mim.

Um ritual de iniciação

Recordo-me agora do meu primeiro dia de aula na faculdade, já que estou às vésperas de concluir minha graduação. Tudo era novidade: estrutura curricular, prédio, colegas, professores... Pouca coisa ali me fazia lembrar a escola onde havia estudado quase todo o período de Educação Básica.
Uma senhora que aparentava ter uns 50 anos de idade, de baixa estatura, usando óculos, uma bolsa enorme e alguns livros nos braços entrou na sala de aula e cumprimentou-nos secamente. Apresentou-se como professora de História da Cultura e Sociedade, falou-nos sobre as dificuldades que teríamos em sua disciplina, apontou para alguns alunos que foram reprovados por ela no período anterior. Nem precisa dizer que nós, calouros, entreolhava-nos silenciosamente - sentimentos vários podiam ser percebidos em nossos olhares. Eu pensava: "Será que todos os nossos professores são assim?" - mais tarde saberia que quase toda a turma pensou algo semelhante.
Bem, a aula tinha que prosseguir. A professora perguntou-nos se tínhamos tirado cópia do texto que seria usado naquele dia. Com ar de quem está se sentindo um peixe fora d'água respondemos que não. Pediu-nos, então, que anotássemos o nome do texto. Caneta e papel em mãos, esperamos que ela dissesse o nome do bendito texto. Só que era um título em francês... Alguém pediu que ela soletrasse. "Vocês não entendem a língua francesa?" - indagou-nos com ar de superioridade. A resposta foi negativa. Então perguntou se tínhamos, pelo menos um dicionário Francês-Português. Uns poucos alunos afirmaram ter um. Uma colega perguntou se seríamos obrigados a comprar o dicionário. Lembro-me muito claramente que a professora ergueu uma das sobrancelhas e respondeu: "É claro! Vocês estão na universidade e não sabem que a França é o berço da cultura e da civilização?" Fez-se silêncio.
Demonstrando irritação pediu que alguém recolhesse entre os alunos o dinheiro para tirar cópia do texto que deveria ser usado ainda naquela aula. Acho que custaria R$3,00, não me recordo com certeza desse detalhe. Um rapaz - que era um dos que foram apontados como reprovados no semestre anterior - ofereceu-se para fazer as cópias. Grande maioria dos alunos, já que mal sabia onde tirar cópias na faculdade, dava o dinheiro a ele e assinava uma folha para receber o texto assim que ele retornasse à sala. Enquanto isso, ela pediu que fizéssemos uma resenha crítica sobre sobre a influência da globalização nas culturas pós-modernas. Quase ninguém entendeu o que era para fazer, mas todo mundo começu a escrever. Mais uma vez, silêncio absoluto.
O aluno que foi tirar cópia volta em menos de cinco minutos acompanhado por mais alguns alunos e por uma mulher jovem, de cabelos claros e bem vestida. Entraram na sala rindo alto. Foi aí que nos informaram que acabávamos de cair num trote de boas vindas. A tal professora que nos "aterrorizou" não era professora, era só uma aluna do curso. A verdadeira professora de História da Cultura e Sociedade acabara de entrar na sala com eles. Quanto ao dinheiro que conguiram com a turma, disseram que usariam para fazer um churrasco e nos avisariam a data posteriormente. Todos rimos da situação patética. Aliás, até hoje quando o assunto surge nós rimos. E assim foi meu primeiro dia como universitária.


Se você leu tudo isso que escrevi aqui, talvez esteja se perguntando porque detalhei uma situação passada. Quem acompanha o noticiário sabe que todos os anos se repetem as notícias de trotes violentos. É tanta violência e brutalidade sem nenhuma razão que me questiono e fico pensando em que ponto o ser humano perdeu a noção do respeito ao seu semelhante. Não consigo vislumbrar lógica em uma pessoa agredir física ou moralmente alguém que tem objetivos acadêmicos e profissionais muito próximos aos seus. Não quero com isso dizer que outros tipos de agressão cometidos por universitários contra quem não pertença ao universo acadêmico sejam justificáveis, deixo claro. Mas, até quando assistiremos sonhos de quem pretende fazer um curso superior se desfazerem tristemente por uma minoria que se impõe pela força e pela intimidação?
Topo